Saulo B_ · Modelos Mentais

Como penso

Práticas consolidadas em campo, com adaptações, críticas e opiniões próprias. Não é uma metodologia para seguir, nem uma coleção neutra de referências.

Serve para revisitar meu próprio raciocínio, funciona como base para trabalhar com IA e mostrar processo neste portfólio.

Seis modelos. Um propósito: questionar melhor.

Modelo 01

Do macro
ao micro.

Adaptado de Goldratt

Resolver um ponto isolado sem mapear o fluxo completo desloca o problema, não resolve. O resultado de um sistema é determinado pelo elo que mais limita.

Sistema completo
Fluxo do processo
Causa raiz
Ponto de intervenção
Solução

Entender o todo antes de intervir em qualquer parte

Modelo 02

Hierarquia
DIKW.

Original, Ackoff, 1989

Como um dado bruto se transforma em decisão. Cada nível exige mais contexto e interpretação do que o anterior. É aí que a maioria dos diagnósticos falha.

Ponto de partida

Qual decisão precisa tomar?

Quais perguntas precisa responder para tomar essas decisões com confiança?

O que precisa saber para responder essa pergunta com confiança?

Dado
Informação
Conhecimento
Sabedoria
Modelo 03

Clareza epistêmica.

Autoral

Um vocabulário para saber em qual estágio de conhecimento estou a cada momento. O eixo é o quanto sei versus o quanto estou afirmando.

Camada Termo O que representa Definição objetiva
01 Coleta Dado / Observação O que você registrou Fato bruto, sem interpretação. O que foi visto, medido ou dito.
02 Interpretação Dor O que você inferiu Friction point confirmado — relatado ou observado. Fato sobre o estado atual.
02 Interpretação Necessidade O que você inferiu O "por quê" subjacente à dor. Inferência sobre motivação ou objetivo real.
02 Interpretação Insight O que você inferiu Conexão não óbvia entre observações. Reframe que muda como você entende o problema.
02 Interpretação Oportunidade O que você inferiu Lacuna entre estado atual e estado desejável, avaliada como estrategicamente relevante. Exige evidência — não é só uma ideia sua.
03 Teste Hipótese O que você está testando Afirmação estruturada e falsificável. "Acreditamos que [usuário] tem [problema], portanto [solução] resultará em [outcome]."
03 Teste Experimento O que você está testando Método estruturado para testar uma hipótese. Define o que será testado, como, com quem, e qual métrica confirma ou refuta.
04 Geração Ideia O que você está propondo Resposta generativa a um problema. Baixo compromisso epistêmico — pode nascer sem validação prévia.
04 Geração Conceito O que você está propondo Ideia desenvolvida com forma, contexto e lógica mínima. Pronta para ser avaliada.
04 Geração Possível solução O que você está propondo Conceito filtrado contra o problema real. Você acredita que resolve — mas ainda não testou.
04 Geração Solução O que você está propondo Possível solução validada por experimento. O nível de validação deve ser explicitado.
Modelo 04

Inovação.

Autoral

Inovação não começa com uma ideia nova. É resolver uma fricção que ninguém está olhando direito, e essa fricção vive na camada de interpretação do modelo anterior: dor, necessidade, insight, oportunidade.

Entender se a inovação é disruptiva ou de sustentação (Christensen) ajuda a alinhar estratégia e expectativas. "Inovação de valor" (Kim & Mauborgne) é na prática uma matriz de priorização simples: o menor esforço que gera o maior impacto positivo, sem quebrar o que já funciona. Ambos como lentes de diagnóstico, não como receita.

Isso vale para um fluxo industrial, um produto financeiro ou uma jornada de consumidor.

01
Antes de qualquer solução
Qual é a fricção real?
Separar o sintoma do problema. A dor visível raramente é a causa.
02
Antes de propor escopo
O contexto aceita essa mudança?
Viabilidade técnica, cultural e operacional. Solução que o contexto rejeita nunca saiu do papel.
03
Antes de apresentar
Qual o custo de não resolver?
Quantificar a fricção atual é parte do trabalho. Design que não responde essa pergunta não sobrevive à decisão de investimento.
Modelo 05

Anatomia de produto digital.

Autoral

Quando o processo de discovery está claro, a próxima pergunta é estrutural: como o produto funciona? Este modelo mapeia a maioria dos produtos digitais orientados a dados em cinco categorias e muda o que você pergunta antes de propor qualquer solução.

Input Features Recurso Tecnologia Config Governança Entidade Dados Output Features
Modelo 06

Capacidades
de IA.

Original, CMU HCII, 2023

Este vocabulário trata IA como infraestrutura cognitiva, não como feature. A pergunta não é "usar IA". É qual capacidade cognitiva resolve o problema específico, com quais dados, gerando qual ação mensurável.

Mais do que IA: é sobre externalizar cognição humana para sistemas.

IA Detect Identify Estimate Forecast Compare Discover Generate Act PERCEPÇÃO PERCEPÇÃO INFERÊNCIA INFERÊNCIA JULGAMENTO JULGAMENTO CRIAÇÃO AÇÃO

Como tudo isso se conecta

Os seis modelos operam em camadas diferentes,
mas servem ao mesmo propósito.

Captar o que está acontecendo. Interpretar o que isso significa para o negócio e para quem o usa. Chegar a uma ação que o problema justifica.

Frameworks não entregam produto

A definição de Ries é precisa.
O exemplo canônico, não.

"A menor versão de um produto que permite obter o máximo de conhecimento validado sobre o cliente" — isso é rigoroso. O problema é o vídeo do Dropbox, citado como MVP canônico: o usuário não recebeu nada de valor. Apenas viu uma ideia. Satisfaz o critério de aprendizado do negócio, mas não entrega valor ao usuário.

Experimento ≠ Produto. MVP tem duas condições simultâneas: mínimo para aprender (negócio) e mínimo viável para entregar valor real (usuário). Quando só a primeira existe, é experimento.

Estes modelos não são metodologia para seguir.
São o mapa do raciocínio.

Uso eles para navegar ambiguidade, comunicar decisões para quem precisa de clareza diferente em cada nível e construir produtos onde o custo do erro é alto e o tempo para descobrir é curto.

O que entrego não é só UX. É redução do custo de estar errado.

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Referências

Teoria das Restrições, Goldratt DIKW, Ackoff, 1989 Falsificabilidade, Popper AI Brainstorming Kit, Yildirim et al., CMU HCII, 2023 UX Strategy, Jaime Levy, 2015 Blue Ocean Strategy, Kim & Mauborgne, 2005 Business Model Canvas, Osterwalder, 2010 Lean Canvas, Ash Maurya, 2010 Lean Startup, Eric Ries, 2011 MVP original, Robinson / Blank Propósito do negócio, Peter Drucker Inovação disruptiva, Christensen, 1997